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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Nova criatura, eu? Sim!



Sabe aquele hábito dos tempos de escola de um colega começar a apresentação do trabalho e o outro terminar? É exatamente assim que me sinto: como se uma versão minha houvesse começado o ano e outra o estivesse terminando. E talvez seja exatamente isso o que esteja acontecendo. Eu poderia ficar aqui enrolando você, leitor, tecendo linhas de raciocínio de autoajuda e dizendo o quanto uma pessoa pode moldar a si mesma. Isso não seria justo, entretanto. Se houve alguma mudança significativa no meu caso, especificamente falando, é porque Deus me alcançou. Ele me resgatou do lugar de confusão em que eu me encontrava e, me trazendo para Si, operou mudanças que me fazem crer que duas versões de mim tenham existido, afinal.

Confesso que quando lia o versículo que diz "se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo"(2 Coríntios 5:17), achava lindo. Maravilhava-me a ideia de que Deus pudesse transformar uma pessoa e fazer dela alguém completamente novo. Pensava, contudo, que essa fosse uma verdade que não pudesse ser experimentada por pessoas como eu. Eu era comum, sabe? Uma pessoa mediana, sem coisas muito grandes que pudessem demandar uma implosão espiritual, como um prédio condenado. Eu não roubava, não matava, não usava drogas pesadas, não discutia com meus pais, não tinha uma doença grave; estava seguramente escondida numa multidão, sem nada que me destacasse. Mas Ele me viu. E Ele sabia a obra que queria realizar em mim. 

Hoje eu compreendo o que Paulo dizia sobre tudo se fazer novo. Quando olho para a pessoa que eu era em janeiro, as questões que eu enfrentava, os medos que tinha e todos os outros conflitos, penso que é como se tudo aquilo fosse um filme a que assisto hoje. Honestamente falando, não sei se as pessoas que convivem comigo tenham sentido a mudança. Não tive a coragem para perguntar. O que sei é que não existe mais a sensação de pertencimento no que se refere aos fatos passados. Não sou mais eu, as histórias passadas são  - de fato - passadas. Nova criatura sou.

Não, leitor, não houve sininhos tocando. Nenhuma luz brilhou mais forte. O dia em que percebi isso seguiu sendo um dia comum. Exceto, claro, pela extrema lucidez que o Espírito Santo colocou em meu coração: a de que por meus próprios meios eu jamais poderia ter feito isso. 

E me senti amada de uma forma totalmente nova. Entendi que histórias como essa são, sim, para pessoas comuns como eu. Descobri que eu subestimava a Deus e à Sua capacidade transformadora. Percebi quão pequena é a minha fé e o quão maior é Aquele que se deu por mim. Sabe, posso até não ser o melhor barro, mas isso pouco importa. O Oleiro é capaz de me transformar no vaso que ele desejar.

As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo!

"Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eu faço uma coisa nova, que já está para acontecer. Não percebeis ainda? Porei um caminho no deserto e rios no ermo" (Isaías 43:18-19).

Fiquem todos em paz!
Um abraço,
Fernanda Coelho.

sábado, 24 de outubro de 2015

Das Quedas



Das lembranças que tenho da minha infância, uma das mais incômodas é aquela que trago das quedas. Eram terríveis os poucos segundos logo após um tombo, em que eu não conseguia respirar, até que finalmente encontrasse o fôlego para chorar. Cair nunca foi bom e creio que jamais será. Há ali uma dor implícita, uma vergonha envolvida e o trabalho de estar de pé outra vez. Talvez não chegue a ser uma memória clara, apenas uma impressão, mas sinto que em algum momento desejei crescer para poder parar de cair. Céus! Eu não poderia estar mais iludida. As quedas apenas mudaram.

Hoje não costumo me esborrachar no chão, como antes. Caio de outras formas: em desânimo, em fracassos, em pecados, em maus hábitos. São tantas formas de estar caída, buscando fôlego novamente para chorar, que é como se fosse criança outra vez. E pelo fato de as quedas serem conotativas, o levantar demanda muito mais que me  pôr sobre os meus pés. A recuperação das quedas envolve recobrar o ânimo, a coragem e a honra; passa por enfrentar o baque e aprender com ele, por aceitar as escolhas feitas e ter esperança a respeito das futuras. Dói. Arde mais que solução antisséptica. Entretanto, ainda não conheci outra forma de crescer. Apesar disso, estaria mentindo se dissesse que não gostaria de evitar tudo isso.

Às vezes, preciso voltar a algum caminho onde já caí. Sei onde está a pedra - já tropecei nela repetidas vezes. Conheço o trajeto e sei como me comporto ao longo da estrada. E não quero passar ali. Simplesmente não quero. Faço tudo o que for possível para evitar essa parte da jornada, mas acabo voltando ao mesmo lugar: àquele em que falho. E essa noite perguntei seriamente a Deus o motivo de eu ter que retornar sempre a esse assunto. Porque não podemos simplesmente pegar um atalho? Porque não podemos mudar o trajeto e evitar esse pedaço em que não sou boa o bastante?

E o Senhor me mostrou caminhando com Ele até essa parte do trajeto, quando O deixo para trás e decido tentar passar sozinha, por minhas próprias forças. É verdade que não sou boa o bastante; por minha própria esperteza, não há possibilidade de chegar ao fim. Preciso andar com Ele, declarar-me dependente e confiar em Suas mãos para guiar-me. Não é uma queda que meus pés possam evitar, mas sim a Sua misericórdia. Preciso de Jesus me amparando, e me estabilizando para que eu possa então vencer e atravessar os pontos difíceis da minha existência.

É como quando Pedro caminhava sobre as águas e, "sentindo o vento, teve medo; e começando  a submergir, clamou: Senhor, salva-me" (Mateus 14:30). Penso que, talvez ele tenha se sentido só, fazendo algo impossível por seus próprios meios, afastado da mão de Jesus. Entendo seu conflito. Já estive nessa situação. Para mim também caberiam as palavras do Mestre: homem de pouca fé, por que duvidaste? (Mateus 14:31). A diferença é que Pedro - homem de pouca fé - teve a coragem que eu não teria: a de descer do barco. É nisso que estou tentando crescer.

Creio que evitar os caminhos onde não somos assim tão bons é uma belíssima forma de limitar a ação de Deus. A zona de conforto é um lugar onde a Majestade de nosso Senhor não pode atuar em plenitude, onde promessas não se cumprem, onde milagres não acontecem. Creio que não seja essa  intenção do nosso Salvador, ou ele jamais teria nos feito a promessa de que "quando passares pelas águas eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti (Isaías 43:2). 

Tenhamos coragem - digo mais para mim, que para ti, leitor. Que a intrepidez do Espírito Santo nos guie pelos caminhos onde nenhuma outra pessoa poderá passar por nós. Que saibamos nos apoiar no Senhor e confiar a Ele a direção de nossas vidas. Todos os dias.

"Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16:33).

Fiquem todos em paz.
Um abraço,
Fernanda Coelho.





segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Final Feliz




Passei a última semana a ler. Foram três livros de mais de quinhentas páginas, que compõem uma série da qual gostei bastante. Passei as páginas avidamente, as horas fluindo sem que eu percebesse. E ao final, a personagem principal morreu. Oi? Como assim, gente?! Chorei, me irritei, me frustrei e passei as últimas horas pensativa a respeito do peso que têm as coisas escritas. O que se escreve perdura. O que se lê age para transformar. Deve ser por isso que Deus quis um livro para si.

Como escritora, sei que os personagens precisam parecer reais o suficiente para convencer e fantásticos o bastante para encantar. Me peguei pensando a esse respeito, enquanto analisava a frustração que senti pela morte de uma personagem que sequer é real, que não andou por essa Terra, com quem não tenho a menor ligação; uma criação de uma boa mente. Observei que seu final não foi feliz, não como eu gostaria. E o Espírito Santo falou. Ele sempre fala; nós é que não paramos para ouvir.

Em meu coração, surgiu a seguinte constatação: eu estive sofrendo por um relato fictício, com um final triste e com o qual não tenho muito a ver. Aquela não é a minha história. Todavia, tenho ao alcance das mãos e folheio diariamente um livro repleto de narrativas a respeito de pessoas reais, que viveram nessa Terra, amaram, lutaram e foram amadas infinitamente por Deus. Tenho acesso a um livro que pode e tem transformado a minha vida diariamente, que me ensina, consola, fortalece e guia. Uma história de amor como nenhuma outra, porque é a minha história de amor; aquela que me mostra a inconfundível ação de Deus e seu cuidado.

Tenho comigo uma história que ainda está sendo construída e que diz respeito a mim em cada aspecto. Uma capaz de me transformar em "carta de Cristo(...), escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de coração de carne" (2Coríntios 3:3). Creio que o Senhor nos transforme nessas cartas para mostrar a outras pessoas o resultado do Seu amor imensurável, da Sua capacidade transformadora e redentora. Sua capacidade de nos tornar uma parte de tudo aquilo que Ele tem construído e que ainda fará.

A Bíblia traz consigo a maior de todas as promessas: a de um amor sublime a ponto de me permitir viver eternamente, plenamente. A promessa de ser saciada em minhas necessidades mais profundas, pois Ele disse "derramarei água sobre o sedento e torrentes sobre a terra seca; derramarei meu Espírito sobre a sua posteridade e a minha bênção sobre a tua descendência" (Isaías 44:3).

Na Bíblia, o personagem principal também morreu. Ele se doou por cada um de nós. Mas ressuscitou ao terceiro dia, nos garantindo algo que jamais conseguiríamos por nossos próprios meios: a salvação. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

E, sinceramente, creio que esse seja o melhor final que um autor pode proporcionar.

A Paz.
Um abraço,
Fernanda Coelho.


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