sábado, 24 de outubro de 2015
Das Quedas
Das lembranças que tenho da minha infância, uma das mais incômodas é aquela que trago das quedas. Eram terríveis os poucos segundos logo após um tombo, em que eu não conseguia respirar, até que finalmente encontrasse o fôlego para chorar. Cair nunca foi bom e creio que jamais será. Há ali uma dor implícita, uma vergonha envolvida e o trabalho de estar de pé outra vez. Talvez não chegue a ser uma memória clara, apenas uma impressão, mas sinto que em algum momento desejei crescer para poder parar de cair. Céus! Eu não poderia estar mais iludida. As quedas apenas mudaram.
Hoje não costumo me esborrachar no chão, como antes. Caio de outras formas: em desânimo, em fracassos, em pecados, em maus hábitos. São tantas formas de estar caída, buscando fôlego novamente para chorar, que é como se fosse criança outra vez. E pelo fato de as quedas serem conotativas, o levantar demanda muito mais que me pôr sobre os meus pés. A recuperação das quedas envolve recobrar o ânimo, a coragem e a honra; passa por enfrentar o baque e aprender com ele, por aceitar as escolhas feitas e ter esperança a respeito das futuras. Dói. Arde mais que solução antisséptica. Entretanto, ainda não conheci outra forma de crescer. Apesar disso, estaria mentindo se dissesse que não gostaria de evitar tudo isso.
Às vezes, preciso voltar a algum caminho onde já caí. Sei onde está a pedra - já tropecei nela repetidas vezes. Conheço o trajeto e sei como me comporto ao longo da estrada. E não quero passar ali. Simplesmente não quero. Faço tudo o que for possível para evitar essa parte da jornada, mas acabo voltando ao mesmo lugar: àquele em que falho. E essa noite perguntei seriamente a Deus o motivo de eu ter que retornar sempre a esse assunto. Porque não podemos simplesmente pegar um atalho? Porque não podemos mudar o trajeto e evitar esse pedaço em que não sou boa o bastante?
E o Senhor me mostrou caminhando com Ele até essa parte do trajeto, quando O deixo para trás e decido tentar passar sozinha, por minhas próprias forças. É verdade que não sou boa o bastante; por minha própria esperteza, não há possibilidade de chegar ao fim. Preciso andar com Ele, declarar-me dependente e confiar em Suas mãos para guiar-me. Não é uma queda que meus pés possam evitar, mas sim a Sua misericórdia. Preciso de Jesus me amparando, e me estabilizando para que eu possa então vencer e atravessar os pontos difíceis da minha existência.
É como quando Pedro caminhava sobre as águas e, "sentindo o vento, teve medo; e começando a submergir, clamou: Senhor, salva-me" (Mateus 14:30). Penso que, talvez ele tenha se sentido só, fazendo algo impossível por seus próprios meios, afastado da mão de Jesus. Entendo seu conflito. Já estive nessa situação. Para mim também caberiam as palavras do Mestre: homem de pouca fé, por que duvidaste? (Mateus 14:31). A diferença é que Pedro - homem de pouca fé - teve a coragem que eu não teria: a de descer do barco. É nisso que estou tentando crescer.
Creio que evitar os caminhos onde não somos assim tão bons é uma belíssima forma de limitar a ação de Deus. A zona de conforto é um lugar onde a Majestade de nosso Senhor não pode atuar em plenitude, onde promessas não se cumprem, onde milagres não acontecem. Creio que não seja essa intenção do nosso Salvador, ou ele jamais teria nos feito a promessa de que "quando passares pelas águas eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti (Isaías 43:2).
Tenhamos coragem - digo mais para mim, que para ti, leitor. Que a intrepidez do Espírito Santo nos guie pelos caminhos onde nenhuma outra pessoa poderá passar por nós. Que saibamos nos apoiar no Senhor e confiar a Ele a direção de nossas vidas. Todos os dias.
"Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16:33).
Fiquem todos em paz.
Um abraço,
Fernanda Coelho.
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